sexta-feira, 30 de março de 2012

Como se Formou Nosso Município


Com o fim da guerra contra o Paraguai, ex-combatentes dos dois países permaneceram nesta região, surgindo os primeiros núcleos de povoamento, aumentando as áreas de pecuária.
Em 1882, foi implantada a Companhia Mate Laranjeira que explorou a erva-mate com o uso de trabalhadores paraguaios e índios guaranis.
Em 1884, veio para o local que mais se tornaria o município de Dourados, o seu primeiro morador, José Serrano (mineiro), que se fixou em Potreio Guassu.
Em 1885, chegou o paulista Francisco Xavier Pedroso.
Em 1893, estourou a Revolução Federalista no sul do Brasil, obrigando os gaúchos fugirem, vindo muitas famílias para Mato Grosso do Sul, aumentando, ainda mais, as áreas de pecuária.
Mas desde o princípio desta ocupação, houveram muitos conflitos entre os colonos e a Cia. Mate Laranjeira, como documento a seguir nos mostra:
“Acresce que a proposta submetida pela referida empresa à deliberação da Assembleia, além de consultar altos interesses do Estado, tanto no presente, como no futuro […] ainda viria facilitar a solução de um temeroso problema […] aludo à imigração rio-grandense que, de dia a dia, vai se avolumando e estendendo pelo sul do Estado, onde os adventícios tratam logo de ocupar terrenos devolutos [leia-se dos índios], pela facilidade que encontraram, o que faz prever que, dentro de mais alguns anos, essa colônia dominará, pelo seu número e extensão, toda aquela região, constituindo, por assim dizer, um Estado no Estado. E como o governo estadual atento a grande distância da sua sede, para ali, e a dificuldade de comunicação, não terá meio para fazer sentir sua ação, a consequência será a possibilidade de frequentes sedições, ou ao menos de resistência ou desacato ao poder constituído. Da palpável conveniência de certos centros de resistência àquela perigosa expansão, o que proporcionaria, muito naturalmente e sem suspeita, o estabelecimento das empresas que se propunham fundar a Cia. Mate Laranjeira e seriam exploradas por uma companhia sucessora, organizada com capitais ingleses, pois as terras devolutas cedidas por compra ou arredondamento passariam a ser ocupadas pelo pessoal da sociedade anônima e assim não estariam à mercê dos primeiros ocupantes na corrente migratória rio-grandense, que teriam de respeitar a posse mantida por uma companhia estrangeira poderosa que no caso de conflito poderia provocar, por via diplomática, a intervenção federal.” ( Joaquim Ponce Leal: Os homens e as armas, conflito campo-cidade no Brasil, 1921).
Em 1896, foi formada a primeira fazenda de plantio de lavouras, pelo mineiro João Ferreira.
Nos anos finais do século XIX chegaram as famílias de Marcelino Pires (paranaense) e dos Torracas. Em 1905, foi Joaquim Teixeira Alves que se estabeleceu em nosso município.
Nesta época, os principais produtos eram o gado e a erva-mate.
Em 1910, Marcelino Pires registrou as suas terras e doou 4 mil hectares para a formação do Patrimônio de de São João Batista de Dourados, depois elevado a condição de Vila das Três Padroeiras.
Em 1914 foi criado o distrito de Paz de Dourados que, em 1932, recebeu do governo do Estado uma área de 20 mil hectares para a formação do município, no entanto somente chegaria a sua emancipação administrativa em 20 de dezembro de 1935.
Um município não se forma apenas com a vontade de algumas famílias ricas que tem seus nomes imortalizados em ruas, praças, etc.
Forma-se pela luta do trabalhador pobre que chega em áreas novas em busca de vida melhor e enriquecimento.
É o conjunto dessas forças e de interesses que vai tornando possível.
No nosso caso só aconteceu porque uma vez tomada s terras dos índios, os grileiros ou posseiros foram aumentando cada vez mais a sua quantia de terra, e como não podiam trabalhar toda esta terra, obrigavam os índios, os negros, os pobres a trabalhar por baixos salários, levando seus patrões ao enriquecimento em pouco tempo, regularizando mais tarde a posse da terra e as escrituras.
Mas não devemos nos esquecer que os imigrantes também ajudaram, é o caso dos paraguaios, paranaenses, paulistas, mineiros, europeus e asiáticos que derrubaram a mata e tornaram a terra agricultável e em uso.

Como se desenvolveu

A partir de 1943, um fato muito importante iria mudar, por completo, a história de nosso município: a fundação da Colônia Agrícola de Dourados, pelo então presidente Getúlio Vargas.
Era uma área de 300 mil hectares, abrangendo as terras dos municípios de Douradina, Fátima do Sul, Jateí, Glória de Dourados, Deodápolis e Angélica, que pertenciam na época aos índios, mas que foram colocadas como terras devolutas que a União usou para fazer este assentamento de família, restando aos índios um pedaço de terra de 60 hectares junto ao distrito de Panambi, ou foram levados para a reserva de Dourados, criada para este fim em 1929.
Em relação à área da Colônia Agrícola de Dourados, esta foi dividida em lotes de 50 hectares, atraindo famílias de paranaenses, paulistas, mineiros e nordestinos, que quando aqui chegaram trouxeram o tipo de cultura que já conheciam: os cafezais.
Para plantar os cafezais foi preciso fazer um grande desmatamento, aumentando em muito as áreas de plantio do município, entre os pés de café eram plantados o algodão, o arroz, o feijão, milho, etc. o que enriqueceu em pouco tempo os tipos de plantio de nossa região.
Pessoas em frente à um barracão (1920)

 Marcelino Pires

* Texto retirado dos arquivos da escola, desconheço o autor.

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